Viver com hipertensão, diabetes ou artrite na terceira idade é um desafio de equilíbrio. Muitas vezes, o idoso sente que sua rotina se tornou uma sucessão de comprimidos e restrições. No entanto, a geriatria moderna propõe um pacto diferente: o controle da doença deve servir à vida, e não o contrário.
O segredo para evitar complicações não está em “vencer” a doença, mas em mantê-la sob controle silencioso enquanto o foco permanece na funcionalidade do idoso.
Cada condição exige um olhar específico para evitar o chamado “efeito cascata” (onde um problema gera outro):
Hipertensão Arterial: O perigo aqui é o silêncio. A pressão alta crônica lesiona pequenos vasos no cérebro e rins. O cuidado: O foco não deve ser apenas “baixar a pressão”, mas evitar quedas bruscas que podem causar tonturas e desmaios (hipotensão ortostática).
Diabetes Mellitus: No idoso, o risco de hipoglicemia (açúcar muito baixo) é mais perigoso do que um açúcar levemente alto. O cuidado: Metas glicêmicas em idosos são mais flexíveis para garantir a segurança cerebral e evitar quedas.
Osteoartrite (Artrite/Artrose): A dor nas articulações leva ao imobilismo, que leva à perda de músculo. O cuidado: O tratamento foca em analgesia segura e movimento. “Articulação parada é articulação que dói”.
| Condição | Principal Risco | Estratégia de Qualidade de Vida |
| Hipertensão | AVC e Infarto | Redução de sal com uso de temperos naturais e controle de estresse. |
| Diabetes | Feridas e visão | Exame diário dos pés e alimentação com baixo índice glicêmico. |
| Artrite/Dor | Perda de autonomia | Exercícios de baixo impacto (água) e adaptação do mobiliário. |
| Insuficiência Cardíaca | Falta de ar e inchaço | Controle rigoroso da ingestão de líquidos e pesagem diária. |
Um dos maiores inimigos da qualidade de vida é o excesso de remédios. Quando tratamos cada doença isoladamente, o idoso acaba tomando 10, 12 comprimidos por dia. A desprescrição — o ato de retirar medicamentos desnecessários ou que causam interações perigosas — é uma das principais ferramentas do geriatra para devolver o bem-estar ao paciente.
Para que as doenças crônicas não se tornem crises agudas (como internações), três pilares são fundamentais:
Monitoramento Domiciliar: Anotar a pressão e a glicemia em horários variados ajuda o médico a ajustar a dose exata, nem mais, nem menos.
Continuidade do Cuidado: Consultas regulares evitam que pequenos desequilíbrios se transformem em emergências.
Apoio Familiar: O envolvimento da família no incentivo à dieta e na organização dos medicamentos reduz erros e aumenta a segurança do paciente.
“Ter saúde na terceira idade não é a ausência de doenças, mas a presença de autonomia para realizar o que se ama, apesar das condições crônicas.”
O diagnóstico de uma doença crônica não é um ponto final, mas um parêntese que exige novos hábitos. Com o manejo correto, é perfeitamente possível ser um idoso com múltiplas condições e, ainda assim, ser ativo, lúcido e feliz. A geriatria humanizada busca exatamente isso: tratar a pessoa, e não apenas o prontuário.
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