É uma cena chocante, mas muito comum nas consultas domiciliares: a família abre uma caixa de sapatos com 12, 15 ou até 20 caixas de remédios diferentes que o idoso toma todos os dias. Um foi prescrito pelo cardiologista, outro pelo reumatologista, outro pelo psiquiatra. Nenhum desses médicos conversou entre si.
Na geriatria, chamamos isso de Polifarmácia. E ela é, hoje, uma das maiores causas de internação hospitalar de urgência na terceira idade.
O que acontece quando não há um médico gerenciando a saúde como um todo? Ocorre a cascata de prescrição:
O idoso toma um anti-inflamatório forte para a dor no joelho.
Esse remédio ataca o estômago. Ele vai a outro médico, que prescreve um protetor gástrico (Omeprazol).
O uso crônico do protetor gástrico bloqueia a absorção de nutrientes, gerando fadiga e deficiência de vitaminas. Ele vai a um terceiro médico, que prescreve um suplemento vitamínico e um antidepressivo para a falta de energia.
O paciente passou de 1 para 4 remédios, apenas para tratar os efeitos colaterais da primeira pílula.
Um idoso de 80 anos não metaboliza medicamentos como um adulto de 40. O fígado é mais lento para inativar a droga e os rins demoram mais para filtrá-la e expulsá-la na urina. Quando se toma 10 remédios ao mesmo tempo, essas substâncias se acumulam no sangue, criando interações químicas tóxicas imprevisíveis que causam desde sangramentos gástricos até quedas por hipotensão súbita.
O papel do geriatra não é apenas adicionar novos remédios, mas principalmente ter a coragem técnica de desprescrever. Nós revisamos a lista, cruzamos as interações, retiramos medicamentos que já não fazem sentido para a fase de vida atual do paciente e ajustamos as doses para o peso e a função renal dele.
O seu familiar toma tantos remédios que não sobra espaço para a comida no estômago? Essa sobrecarga química é perigosa. Clique no botão abaixo para agendar uma consulta com a Dra. Camila Olimpio e vamos realizar a conciliação medicamentosa.