Saúde mental na geriatria: como lidar com a depressão e a ansiedade na terceira idade

Introdução

Muitas vezes, as feridas emocionais na terceira idade não sangram, mas paralisam. Enquanto o foco médico tradicional costuma estar voltado para a pressão arterial ou os níveis de glicose, a saúde mental acaba ficando em segundo plano. No entanto, o bem-estar emocional é o que determina se o idoso terá motivação para se cuidar, se alimentar bem e se manter ativo.

Neste artigo, vamos desmistificar a depressão e a ansiedade na terceira idade, ensinando a identificar os sinais e como buscar o tratamento adequado.

1. A Depressão na Terceira Idade pode ser “Mascarada”

Ao contrário dos jovens, o idoso nem sempre manifesta a depressão através da tristeza profunda ou do choro. Muitas vezes, ela aparece de forma “atípica”, através de sintomas físicos que confundem a família e até médicos não especialistas:

  • Dores Crônicas: Dores de cabeça, nas costas ou no estômago que não melhoram com remédios comuns.

  • Irritabilidade: O idoso fica impaciente, ranzinza ou agressivo sem motivo aparente.

  • Apatia: A perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas (como ver os netos, cuidar das plantas ou assistir a um programa favorito).

  • Alterações de Sono e Apetite: Insônia ou sono excessivo, além de perda rápida de peso.

2. Ansiedade: O Medo do Futuro e da Dependência

A ansiedade no idoso costuma estar ligada ao medo da perda de autonomia, ao medo de quedas ou à preocupação excessiva com a saúde e com a morte. O idoso ansioso pode apresentar:

  • Preocupação constante com pequenos problemas do dia a dia.

  • Inquietação física e dificuldade para relaxar.

  • Palpitações, falta de ar ou tremores que podem ser confundidos com problemas cardíacos.

3. Por que isso acontece?

O envelhecimento traz consigo uma série de lutos: a perda de amigos e familiares, a aposentadoria (que muitas vezes gera perda de propósito) e as limitações do próprio corpo. Além disso, desequilíbrios químicos no cérebro e até o uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia) podem desencadear ou agravar distúrbios emocionais.

4. Como buscar ajuda e promover o bem-estar

O tratamento na geriatria é multidimensional. Não se trata apenas de prescrever um antidepressivo, mas de criar uma rede de suporte:

  • Acompanhamento Especializado: O geriatra avalia se há causas físicas ou medicamentosas para o quadro emocional.

  • Estimulação Social: Combater a solidão é um dos remédios mais potentes. Atividades em grupo, convivência familiar e hobbies são essenciais.

  • Terapia Cognitivo-Comportamental: Adaptada para o idoso, ajuda a ressignificar perdas e lidar com medos atuais.

  • Atividade Física: Exercícios liberam endorfina e serotonina, melhorando o humor de forma natural.

Conclusão

Mente sã, corpo ativo. Identificar que um idoso está sofrendo emocionalmente é o primeiro passo para devolver a ele a cor da vida. Não aceite o desânimo como “coisa da idade”. Com o suporte certo, a terceira idade pode ser uma fase de redescobertas e serenidade.

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